Por: redação brazilianwill
27/03/2025, 15:50

Fluoreto de Sódio ou de Estanho? Entenda a Diferença Após o Caso Colgate

1. Introdução

Hoje, 27/03/2025, a Anvisa suspendeu a comercialização da Colgate Clean Mint após relatos de desconfortos bucais em alguns consumidores. Entre os sintomas citados estavam ardência, inchaço, dormência e irritação na boca.

Segundo o portal GZH, foram registradas oito notificações formais que somaram treze eventos adversos. O produto é uma reformulação da linha Total 12 e passou a usar fluoreto de estanho como ativo principal no lugar do fluoreto de sódio, tradicionalmente usado em pastas de dente.

A mudança reacendeu o interesse sobre esses dois compostos, suas diferenças e seus efeitos. Este artigo esclarece o papel de cada um deles, com base em informações técnicas e acessíveis.

2. O Caso Colgate Clean Mint

A versão Clean Mint foi lançada em 2024 como substituta da Total 12. A principal novidade está no uso do fluoreto de estanho, um composto conhecido por sua ação antibacteriana mais ampla. Após a chegada de relatos de reações adversas, a Anvisa decidiu suspender o produto de forma preventiva.

A Colgate informou que o ingrediente é seguro, aprovado em diversos países, e que a fórmula passou por mais de dez anos de testes. Também reconheceu que algumas pessoas podem apresentar sensibilidade individual a determinados componentes, como o próprio fluoreto de estanho, corantes ou saborizantes.

3. Para que serve o flúor nas pastas de dente?

O flúor é um dos componentes mais estudados e utilizados na prevenção de cáries. Sua principal função é fortalecer o esmalte dentário, tornando-o mais resistente à ação dos ácidos produzidos pelas bactérias presentes na boca. Além disso, ajuda a remineralizar áreas iniciais de desmineralização, impedindo o avanço de lesões cariosas.

Ao reduzir a atividade bacteriana e a acidez do meio bucal, o flúor contribui para o equilíbrio entre perda e ganho de minerais nos dentes. Esse processo é fundamental para a manutenção da saúde bucal ao longo do tempo.

Entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a American Dental Association (ADA) e a própria Anvisa reconhecem a eficácia do uso tópico do flúor em cremes dentais como uma das estratégias mais importantes e seguras no controle da cárie dentária em populações de diferentes faixas etárias.

4. Fluoreto de sódio (NaF): o tradicional

O fluoreto de sódio é uma forma estável e amplamente utilizada de flúor em cremes dentais. Atua principalmente na prevenção de cáries ao se incorporar ao esmalte dos dentes, tornando-o mais resistente aos ácidos produzidos pelas bactérias da placa.

É conhecido por sua estabilidade química, o que facilita a formulação de produtos com boa durabilidade e desempenho consistente. Essa característica também contribui para uma aplicação segura em diferentes faixas etárias, desde que respeitada a concentração adequada.

Seu uso regular, associado à escovação adequada, reduz significativamente a incidência de cáries. Os efeitos colaterais são raros, especialmente quando o produto é utilizado conforme as orientações. Em geral, o fluoreto de sódio é bem tolerado pela maioria das pessoas e permanece como o ingrediente ativo mais comum nas pastas de dente disponíveis no mercado.

5. Fluoreto de estanho (SnF₂): o reforçado

O fluoreto de estanho é uma alternativa ao fluoreto de sódio e tem sido utilizado em cremes dentais por sua ação mais ampla. Além de atuar na prevenção de cáries, também apresenta propriedades antibacterianas, ajudando a reduzir a formação de placa e a inflamação gengival. Algumas formulações ainda apontam benefícios no controle do mau hálito.

Sua atuação ocorre tanto na remineralização do esmalte quanto na interferência direta no metabolismo bacteriano, o que amplia sua eficácia em determinadas condições bucais. No entanto, essa potência adicional vem acompanhada de desafios na formulação: o composto é quimicamente menos estável e, por isso, requer estabilizantes para manter sua eficácia ao longo do tempo.

Em algumas pessoas, o fluoreto de estanho pode causar efeitos colaterais como ardência, sensação metálica, manchas superficiais nos dentes ou reações de hipersensibilidade. Essas respostas variam de acordo com a sensibilidade individual e com a combinação dos demais ingredientes presentes no produto.

6. Comparativo entre os dois fluoretos

Abaixo, uma comparação entre o fluoreto de sódio (NaF) e o fluoreto de estanho (SnF₂), com base em suas propriedades mais relevantes para o uso em cremes dentais:

Critério Fluoreto de sódio (NaF) Fluoreto de estanho (SnF₂)
Eficácia anticárie Alta Alta
Ação antibacteriana Moderada Mais abrangente
Risco de reações adversas Baixo Levemente maior em pessoas sensíveis
Estabilidade da fórmula Alta (dispensa estabilizantes) Menor (exige estabilizantes)
Presença no mercado Comum em diversas marcas Mais restrito a produtos específicos

7. Por que algumas pessoas reagem ao fluoreto de estanho?

Embora o fluoreto de estanho seja considerado seguro por autoridades de saúde, algumas pessoas podem apresentar reações adversas após o uso de produtos que o contenham. Uma das razões está na sua maior reatividade química em comparação ao fluoreto de sódio, o que pode causar irritações em tecidos orais mais sensíveis.

A sensibilidade individual também desempenha um papel importante. Algumas pessoas têm maior propensão a reagir a determinadas substâncias, mesmo em concentrações seguras para a maioria da população. Nessas situações, podem ocorrer sintomas como ardência, sensação metálica, manchas nos dentes ou desconforto gengival.

Outro fator a ser considerado é a necessidade de estabilizantes na formulação. Por ser menos estável, o fluoreto de estanho exige a adição de compostos que preservem sua eficácia. Esses ingredientes adicionais, assim como certos conservantes ou veículos, podem contribuir para reações adversas em indivíduos suscetíveis.

É importante destacar que reações desse tipo podem ocorrer mesmo com produtos liberados por órgãos reguladores e desenvolvidos dentro dos padrões de segurança. Cada organismo responde de forma diferente, e a identificação precoce de sinais de irritação é essencial para evitar agravamentos.

8. O que fazer se você teve reação a uma pasta de dente?

Ao notar qualquer sintoma incomum após o uso de um creme dental — como ardência, inchaço, irritação ou dormência — a primeira recomendação é suspender imediatamente o uso do produto. Em seguida, é aconselhável procurar a orientação de um dentista para avaliar o quadro clínico e receber as orientações adequadas.

Também é importante comunicar o ocorrido à Anvisa, contribuindo com o monitoramento da segurança dos produtos disponíveis no mercado. O relato pode ser feito de forma online, por meio do sistema VigiMed, disponível no site oficial da agência.

Por fim, é recomendável observar os ingredientes presentes em outros produtos de higiene bucal utilizados rotineiramente. Ler os rótulos e identificar substâncias que possam ter causado desconforto pode ajudar a evitar novas reações no futuro.

9. O que podemos aprender com esse caso?

O episódio envolvendo a suspensão da Colgate Clean Mint mostra que, mesmo em produtos amplamente testados e produzidos por marcas consolidadas, podem surgir efeitos adversos em uma parcela da população. Nem toda inovação funciona da mesma forma para todos, e ingredientes mais potentes podem exigir maior atenção quanto à tolerância individual.

Isso reforça a importância de adotar uma postura de consumo consciente, buscando compreender o que está presente nas fórmulas dos produtos usados no dia a dia. Saber interpretar os rótulos, entender a função dos ingredientes e observar como o corpo reage a eles são práticas que ajudam a prevenir problemas.

O papel da vigilância sanitária também se destaca nesse contexto. Medidas como a interdição cautelar são formas legítimas de proteção da saúde pública, permitindo uma análise técnica mais aprofundada sempre que surgem indícios de risco. O equilíbrio entre inovação e segurança é fundamental para manter a confiança do consumidor e a integridade dos produtos no mercado.

10. Conclusão

Tanto o fluoreto de sódio quanto o de estanho são substâncias eficazes na proteção contra cáries e outros problemas bucais. Cada um possui características próprias que podem torná-los mais adequados para diferentes necessidades, perfis de uso e formulações.

Compreender os detalhes técnicos, suas vantagens e limitações, permite ao consumidor fazer escolhas mais conscientes e personalizadas. Observar como o organismo reage e buscar orientação profissional em caso de dúvidas ou desconforto são atitudes que valorizam a própria saúde.

A leitura de rótulos, a atenção aos ingredientes e a confiança em fontes sérias de informação são ferramentas importantes no dia a dia. Saber o que se usa é um passo fundamental para cuidar melhor de si mesmo e evitar problemas evitáveis.


Este artigo foi elaborado com base em fontes confiáveis e revisão cuidadosa. No entanto, estamos sujeitos a erros. Nosso compromisso é com a clareza, precisão e utilidade da informação. Se notar algo que possa ser corrigido ou melhorado, entre em contato conosco.