Gripe Aviária: O Que É, Situação Atual e Medidas de Controle
1. Introdução: A Terra em Alerta
Em março de 2025, Bangladesh voltou a registrar um surto de gripe aviária em uma fazenda — o primeiro desde 2018. Cerca de 1.900 aves morreram em um plantel de quase quatro mil, segundo informações divulgadas por agências internacionais.
No mesmo período, o Reino Unido identificou pela primeira vez o vírus H5N1 em uma ovelha, na região de Yorkshire. O animal estava em uma propriedade que já havia enfrentado um surto entre aves, o que levantou preocupações sobre a capacidade do vírus de se adaptar a mamíferos.
Diante desses episódios recentes, surge uma pergunta inevitável: o que é, afinal, a gripe aviária — e por que ela voltou a gerar atenção no mundo todo?
Este artigo oferece uma explicação clara e acessível sobre a gripe aviária, abordando sua origem, evolução, situação atual e os impactos que pode gerar na saúde pública, na economia e no cotidiano de diversos países.
2. O Que É a Gripe Aviária?
A gripe aviária é uma infecção viral que afeta principalmente aves, causada por subtipos do vírus Influenza A — entre os mais conhecidos estão o H5N1 e o H7N9. Em condições específicas, o vírus pode também atingir mamíferos e seres humanos, embora esses casos sejam considerados raros.
Entre as aves, a transmissão ocorre por meio de fezes, secreções respiratórias ou contato direto com outras aves infectadas. O vírus se espalha com facilidade em ambientes fechados e de alta densidade, como granjas ou centros de abate.
Em mamíferos e humanos, a infecção geralmente está associada ao contato próximo com aves doentes ou com superfícies contaminadas — como galpões, utensílios, roupas ou até partículas no ar em ambientes com má ventilação.
3. Histórico da Gripe Aviária
O surgimento da gripe aviária em humanos não é recente. Desde o final dos anos 1990, o vírus tem sido monitorado de perto por autoridades de saúde ao redor do mundo, devido ao seu potencial de causar surtos graves e cruzar a barreira entre espécies.
Em 1997, foram registrados os primeiros casos humanos do vírus H5N1 em Hong Kong. A taxa de mortalidade foi alta, e como medida de contenção, todas as aves da cidade foram abatidas — um esforço drástico que impediu a expansão do surto naquele momento.
Já em 2013, um novo subtipo, o H7N9, surgiu na China. O vírus causou centenas de infecções humanas ao longo dos anos seguintes, com ondas sazonais e vigilância contínua por parte das autoridades sanitárias.
A partir de 2021, o H5N1 voltou a se espalhar em larga escala, afetando milhões de aves em diferentes regiões do mundo. Além disso, foram registrados casos de infecção em mamíferos como ursos, focas e leões-marinhos, o que aumentou a preocupação quanto à capacidade do vírus de se adaptar a novas espécies. (Fonte: The Verge)
4. Situação Atual (Março de 2025)
Em 2025, a gripe aviária voltou a ocupar espaço no noticiário internacional devido a novos casos em humanos, infecções em mamíferos e impactos econômicos sentidos principalmente no setor de alimentos.
Nos Estados Unidos, desde abril de 2024, foram registrados 70 casos de infecção pelo vírus H5N1 em humanos. A maioria ocorreu entre trabalhadores com exposição direta a aves contaminadas ou a rebanhos de gado leiteiro. Já no Camboja, em janeiro de 2025, foi confirmada a terceira morte no ano relacionada ao vírus — uma criança de três anos que teve contato com aves infectadas. (Fontes: CDC, CIDRAP)
Além dos casos humanos, a gripe aviária tem se manifestado em espécies de mamíferos. No Reino Unido, o H5N1 foi detectado pela primeira vez em uma ovelha na região de Yorkshire, após um surto anterior na mesma propriedade. Nos Estados Unidos, surtos foram identificados em rebanhos leiteiros de nove estados, levantando suspeitas de que o vírus esteja sendo transmitido entre vacas durante o processo de ordenha. (Fontes: CIDRAP, USDA)
Os reflexos econômicos também são evidentes. O preço médio de uma dúzia de ovos grandes nos Estados Unidos subiu para 5,90 dólares em fevereiro de 2025, mais que o dobro do valor no mesmo período do ano anterior. Para tentar conter os prejuízos, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) lançou um plano de até 1 bilhão de dólares voltado ao controle do vírus, à proteção da produção e à estabilização dos preços. (Fontes: Reuters, USDA)
5. Situação no Brasil
Até o momento, o Brasil não registrou casos de gripe aviária em humanos nem em aves de produção comercial. No entanto, a presença do vírus em aves silvestres foi confirmada em 2023, com 166 focos identificados principalmente em espécies migratórias. Essas ocorrências levaram o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a declarar estado de emergência zoossanitária em maio daquele ano.
Desde então, o país mantém um nível elevado de vigilância, especialmente nas regiões litorâneas e nas rotas de aves migratórias. O objetivo é evitar que o vírus chegue aos plantéis comerciais, o que poderia comprometer a segurança alimentar e a economia do setor — o Brasil é, atualmente, o maior exportador mundial de carne de frango.
A vacinação de aves ainda não foi adotada oficialmente no país, mas o tema vem sendo debatido como possível estratégia preventiva. Além disso, o Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho para discutir ações de vigilância e controle, reforçando o alinhamento entre as áreas de saúde animal e saúde pública.
6. Impactos Econômicos e Sociais
Além das preocupações com a saúde animal e humana, a gripe aviária também traz efeitos significativos sobre a economia e o dia a dia das pessoas. As medidas adotadas para conter os surtos afetam diretamente o setor produtivo e têm reflexos perceptíveis no consumo.
Milhões de aves foram abatidas em diversos países como estratégia de contenção. Essa perda em larga escala compromete a produção e limita a capacidade de exportação de carne e ovos, afetando diretamente o setor avícola.
Para os consumidores, isso se traduz em aumento no preço de produtos derivados de aves. Em países onde o ovo é um alimento básico, como acontece em boa parte do mundo, esse impacto pesa no custo de vida, especialmente entre famílias de baixa renda.
Os pequenos produtores são outro grupo fortemente afetado. Muitos enfrentam dificuldades financeiras após perderem todo o rebanho, sem contar os custos com medidas de biossegurança exigidas por autoridades sanitárias — como desinfecção, descarte adequado e interrupção temporária da atividade.
7. Riscos e Medidas de Controle
Embora a gripe aviária não esteja, neste momento, se espalhando amplamente entre humanos, especialistas têm acompanhado com atenção os sinais de adaptação do vírus H5N1 a mamíferos. Essa mudança de comportamento preocupa porque, em cenários extremos, poderia abrir caminho para uma transmissão sustentada entre pessoas — algo que ainda não foi registrado, mas que exige vigilância contínua. (Fonte: The Verge)
Diante desse cenário, diferentes estratégias de controle estão sendo consideradas ou já aplicadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, discute-se a vacinação de aves como uma medida preventiva. Essa prática já foi adotada por países como França, China e México, com o objetivo de conter surtos e evitar perdas econômicas severas. (Fonte: Reuters)
Além disso, medidas de biossegurança vêm sendo reforçadas em diversas regiões. Fazendas têm investido em controles de acesso, higienização de equipamentos, barreiras sanitárias e monitoramento constante dos plantéis. Essas ações ajudam a reduzir a disseminação do vírus e a proteger tanto os animais quanto os trabalhadores envolvidos na produção.
8. Conclusão: A Importância da Vigilância e Informação
A gripe aviária permanece como um desafio real para a saúde pública e a economia global. Os surtos recentes e os sinais de adaptação do vírus a novas espécies mostram que esse é um fenômeno em constante evolução, que exige atenção contínua.
Investimentos em pesquisa, monitoramento genético do vírus e medidas de controle eficazes são ferramentas essenciais para reduzir os riscos. Além disso, a vigilância ativa permite respostas mais rápidas e coordenadas sempre que surgem novos focos da doença.
Em tempos de incerteza, a informação de qualidade é uma aliada poderosa. Manter-se bem informado e adotar práticas seguras ajuda a enfrentar esse tipo de ameaça com responsabilidade — sem cair em negligência, mas também sem alimentar o medo desnecessário.
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