10 Expressões Que Revelam Falta de Empatia (Mesmo Sem Intenção)
Empatia não é sobre ser bonzinho. Também não é sobre dar conselhos ou concordar com tudo. Empatia é, antes de tudo, a capacidade de reconhecer o que o outro sente — mesmo que você não sinta o mesmo, mesmo que você não concorde. É uma escuta ativa que evita julgamentos rápidos e respostas automáticas.
Mas é aí que mora o problema: no automático. Muitas expressões do dia a dia parecem inofensivas, mas carregam mensagens que diminuem, culpam ou invalidam o outro — mesmo quando a intenção era ajudar. Essas frases saem da boca antes que a gente pense no peso que elas têm.
Neste artigo, vamos analisar 10 expressões comuns que revelam falta de empatia, explicando por que são problemáticas e o que poderia ser dito no lugar. O objetivo não é patrulhar conversas, mas convidar à reflexão: o que você diz realmente acolhe? Ou apenas silencia?
1. Por que empatia não é só “entender o outro”
Empatia costuma ser definida como “se colocar no lugar do outro”. Mas, na prática, isso pode ser um erro. Porque a gente nunca está no lugar do outro — a gente está no nosso, olhando de fora, com nossa bagagem, nossos filtros, nossos limites.
A verdadeira empatia não exige que você sinta o mesmo que o outro, mas que você reconheça o que ele sente e respeite isso como legítimo. É saber ouvir sem transformar tudo numa disputa de opinião. É não apressar conselhos nem querer “consertar” a dor do outro logo de cara.
E muitas vezes, a falta de empatia não está na ausência de ajuda, mas no tipo de resposta que se dá. Frases como “isso é frescura”, “você devia ser mais forte”, ou “já passou, né?” são ditas com naturalidade, mas deixam um recado claro: “o que você sente não é relevante para mim”.
Antes de qualquer gesto, empatia começa com uma escuta que não minimiza, não corrige, não julga. Só depois vem a fala. E é aí que muita gente tropeça — sem perceber.
2.1 “Você tá exagerando.”
Essa frase é mais comum do que parece — e mais agressiva do que parece também. Ela é uma forma direta de deslegitimar a experiência do outro. Quando alguém se abre, mostra dor, incômodo ou preocupação, responder com “você tá exagerando” é dizer, em outras palavras, que a percepção dela está errada.
Na prática, essa frase bloqueia o diálogo. A pessoa sente que não pode mais confiar, que está sendo tratada como “sensível demais” ou “dramática”. Mesmo sem intenção, o efeito é de silenciamento. A dor que era compartilhada vira motivo de constrangimento.
Além disso, o julgamento de “exagero” parte de uma régua que é sua — e não da pessoa que vive aquilo. O que parece pequeno pra você pode ter um peso enorme pra ela. Empatia, nesse caso, não é medir com a sua régua, mas tentar entender com a escuta aberta.
Evite dizer: “Você tá exagerando.” Experimente perguntar: “Quer me explicar melhor o que aconteceu?” ou “Você quer falar mais sobre isso?”
2.2 “Tem gente em situação muito pior.”
Essa frase costuma vir com boas intenções. A ideia é tentar consolar, colocar as coisas em perspectiva. Mas, na prática, ela invalida a dor da outra pessoa. Em vez de acolher, compara. E comparação, nesse contexto, é uma forma de dizer: “você não tem o direito de se sentir assim”.
Empatia não é uma competição de sofrimento. O fato de existirem problemas maiores no mundo não faz com que o sofrimento do outro desapareça. Pelo contrário: ouvir isso pode gerar culpa, vergonha ou silêncio. A pessoa deixa de falar porque sente que está incomodando com “besteira”.
É possível reconhecer a dor do outro mesmo quando ela parece pequena aos seus olhos. O tamanho do sentimento não precisa ser medido. Ele só precisa ser ouvido.
Evite dizer: “Tem gente em situação pior.” Diga, se quiser ajudar: “Se isso está te afetando, quero te ouvir.”
2.3 “É só não ligar pra isso.”
Essa frase pode parecer racional, mas esconde uma cobrança injusta. Quando alguém diz que está incomodado com algo — uma crítica, uma situação no trabalho, um comentário maldoso — responder com “é só não ligar” equivale a dizer: “isso só te afeta porque você permite”.
O problema é que ninguém escolhe se afetar ou não com algo. Os sentimentos reagem antes da razão. Dizer “não liga” ignora esse processo e ainda joga a responsabilidade de volta pra quem já está fragilizado. A mensagem que passa é: “se você tá mal, o problema é só seu”.
Empatia, nesse caso, seria reconhecer que a dor é legítima — mesmo que você a enfrentasse de outra forma. A escuta empática parte do princípio de que o que afeta alguém deve ser respeitado, antes de ser resolvido.
Evite dizer: “É só não ligar pra isso.” Prefira algo como: “Quer conversar sobre o que isso te causou?”
2.4 “Você devia ter feito diferente.”
Quando alguém compartilha uma frustração ou conta algo que deu errado, essa frase surge com frequência. Às vezes vem com tom de conselho, outras vezes com crítica disfarçada. Mas em ambos os casos, ela aparece num momento em que a pessoa mais precisa de acolhimento, e não de correção.
Ouvir “você devia...” logo após abrir uma vulnerabilidade pode ser um golpe. A mensagem que fica é: “a culpa foi sua”. E mais do que isso: “eu teria feito melhor.” A empatia se perde porque o foco sai do que a pessoa sentiu e vai direto pra um julgamento da atitude dela.
Existem momentos para conselhos — mas não enquanto a ferida ainda está aberta. Escutar com presença é mais eficaz do que apontar caminhos antes da hora.
Evite dizer: “Você devia ter feito diferente.” Diga, se fizer sentido: “Quer falar sobre o que você sentiu depois disso?”
2.5 “Relaxa, isso passa.”
Essa frase parece positiva, mas no momento errado, ela fecha portas. Quando alguém está sofrendo ou tentando explicar o que sente, ouvir um “relaxa” pode ser o mesmo que dizer: “não quero aprofundar nisso agora”. Ou ainda pior: “isso não é tão sério quanto você acha.”
Sim, quase tudo passa. Mas dizer isso no meio da dor pode soar como uma tentativa de encerrar o assunto antes dele começar. Ao invés de acolher, a frase distrai. Troca profundidade por pressa. E transmite a sensação de que o desconforto do outro está incomodando.
Empatia exige presença. Nem sempre dá pra resolver. Mas dá pra acompanhar — e isso faz mais diferença do que parece.
Evite dizer: “Relaxa, isso passa.” Diga, com sinceridade: “Se quiser desabafar, tô aqui pra ouvir.”
2.6 “Ah, mas eu já passei por coisa pior.”
Quando alguém desabafa e ouve essa frase, a sensação imediata é de competição. A pessoa abre algo íntimo e, em vez de acolhimento, recebe uma comparação. A mensagem que chega é: “sua dor não é grande o bastante”, ou pior: “você está sendo fraco por se abalar com isso.”
Transformar sofrimento em disputa só afasta. Cada um sente o que sente, com base na sua história, nos seus limites e nas circunstâncias do momento. Empatia não é sobre medir o que dói mais — é sobre reconhecer que dói, sem precisar hierarquizar.
Às vezes o silêncio empático vale mais que qualquer conselho. Não é sobre ter vivido pior. É sobre saber escutar o que o outro está vivendo agora.
Evite dizer: “Ah, mas eu já passei por coisa pior.” Diga, se quiser estar junto: “Isso parece ter te afetado bastante. Quer me contar mais?”
2.7 “Você sempre faz drama.”
Poucas frases são tão desmoralizantes quanto essa. Ela não apenas invalida o que a pessoa está sentindo no momento, mas também rotula o comportamento dela como exagerado por padrão. É um tipo de julgamento que não deixa espaço para conversa — fecha tudo de uma vez.
Dizer isso cria um ambiente de vergonha. A pessoa se sente infantilizada, desautorizada a sentir o que sente. E, muitas vezes, isso acontece justamente quando ela está tentando se abrir, o que torna o efeito ainda mais nocivo.
Empatia exige a suspensão do julgamento imediato. Mesmo que algo soe exagerado aos seus olhos, vale mais tentar entender o porquê daquilo ter ganhado aquela proporção para o outro. Ninguém se expressa à toa.
Evite dizer: “Você sempre faz drama.” Diga, com respeito: “Quer me explicar melhor como isso te afetou?”
2.8 “Não era pra tanto.”
Essa frase é quase um reflexo automático. Ela sai quando queremos minimizar o impacto de algo, como se fosse uma tentativa de tranquilizar. Mas, no fundo, ela carrega uma mensagem bem clara: “você está reagindo de forma exagerada”. Ou pior: “você está errado por se sentir assim.”
Empatia não significa concordar com tudo. Mas significa, no mínimo, reconhecer que o que o outro sente tem valor pra ele. E se tem valor, precisa ser tratado com respeito. Dizer “não era pra tanto” é medir o sentimento do outro com a sua régua. E isso nunca funciona.
Uma escuta verdadeira considera o contexto, a bagagem emocional, o momento da pessoa. Às vezes, não é pra tanto pra você — mas é exatamente pra tanto pra quem está vivendo.
Evite dizer: “Não era pra tanto.” Diga, se quiser realmente ouvir: “O que te fez sentir dessa forma?”
2.9 “Pense pelo lado positivo.”
Otimismo é importante. Mas usado na hora errada, ele se torna uma forma de silenciamento. Quando alguém está sofrendo, dizendo “pense pelo lado positivo” pode parecer uma tentativa de consolo — mas soa como pressa pra encerrar o assunto. Como se houvesse um incômodo em ver o outro vulnerável.
Essa frase muitas vezes impede que a dor seja sentida, nomeada e processada. E isso é fundamental. Ninguém pula do sofrimento direto pro alívio sem passar por dentro daquilo que sente. Forçar positividade é, nesse caso, uma forma de negar a dor.
A escuta empática não exige solução nem motivação imediata. Às vezes, só estar ali, com atenção e respeito, é o que mais ajuda.
Evite dizer: “Pense pelo lado positivo.” Diga, se for o momento certo: “Se quiser, posso só te escutar. Sem pressa pra resolver nada.”
2.10 “Se eu fosse você…”
Essa frase parece empática à primeira vista. Afinal, ela parte da ideia de se colocar no lugar do outro. Mas, na prática, quase sempre revela o contrário. Quando dizemos “se eu fosse você”, estamos tirando a pessoa da própria experiência e colocando a nossa lógica, nossos valores e nosso julgamento no lugar.
O problema é que você não é o outro. E ainda que tenha passado por algo parecido, os contextos emocionais, históricos e psicológicos são diferentes. O que funciona pra um, pode machucar outro. O que parece simples pra você, pode ser um abismo pro outro.
Empatia verdadeira começa com escuta. E só depois, com muito cuidado, vem qualquer sugestão. Dizer “se eu fosse você” cedo demais interrompe o processo de desabafo e coloca o foco em quem está ouvindo, não em quem está sofrendo.
Evite dizer: “Se eu fosse você...” Diga, se for bem-vindo: “Quer saber o que eu penso ou prefere só conversar?”
3. Conclusão
A maior parte dessas expressões não nasce da maldade. Elas vêm do hábito, da pressa, do desconforto em lidar com a dor alheia. Mas intenção não apaga impacto. O jeito como falamos tem efeito — e pode aproximar ou afastar, acolher ou machucar.
Empatia não exige respostas perfeitas, nem frases bonitas. Exige presença. Exige escutar sem corrigir. Segurar o julgamento por alguns minutos. Dar espaço pra que o outro sinta o que sente sem precisar se justificar.
Se a conversa for sincera, a escuta for limpa e a resposta vier com cuidado, a empatia aparece — mesmo em silêncio. Porque, no fim das contas, não é sobre ter a frase certa. É sobre estar disposto a realmente ouvir.
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